Desde sempre que partilhei a casa com os livros. Em casa dos
meus avós maternos havia uma estante embutida na parede e era basicamente
composta pelos livros proibidos pelo antigo regime que o meu avô adorava
coleccionar. Havia um ou outro livro de culinária, um manual de boa
esposa e algumas revistas de lavores que pertenciam à minha avó.
Em casa dos meus pais a tradição manteve-se. Numa versão
mais actual, há uma estante de madeira na sala com um leque de assuntos mais
abrangente. Em minha casa, o escritório (local onde estão 90% dos livros lá de
casa) será a próxima área de intervenção, sendo que uma das causas principais é
a falta de espaço para as últimas aquisições.
O facto de ter sempre livros em casa despertou-me o
interesse por querer conhecer mais livros, mais autores, mais histórias e as
bibliotecas eram as melhores aliadas. Na infância frequentava uma biblioteca
itinerante da Gulbenkian, que percorria km para levar até às pessoas os livros
que não tinham possibilidade de comprar. No fim da infância/início da adolescência
a biblioteca municipal era onde passava os tempos livres, principalmente nas
férias enquanto esperava que a minha mãe saísse do trabalho.
Na adolescência tirei umas férias das bibliotecas e só
passava por lá quando precisava de fazer algum trabalho para a escola.
Continuava a ler, basicamente o que tinha em casa, os livros que comprava ou
que recebia de presente e os livros emprestados das amigas.
Na idade adulta redescobri o prazer de frequentar uma
biblioteca. Entrar numa sala e sentir o conforto dos livros nas prateleiras à
espera de serem resgatados para nos acompanhar durante algumas horas, para mim,
é quase como ser Natal!
Tive a sorte de trabalhar numa empresa que criou uma biblioteca
para os colaboradores e continua a investir recursos para alargar o leque de
escolha e em mantê-la actualizada. Hoje quando abri a caixa de e-mail do trabalho
foi mais um dia de Natal, tinham chegado novidades à biblioteca entre elas uma
compra adiada na feira do livro deste ano!
Felizmente muitas bibliotecas municipais têm sobrevivido e
mediante uma (simbólica) quota anual podemos associar-nos e usufruir do património
literário que têm para nos oferecer. Poder folhear um livro e escolher o que me
apetece levar para casa sem qualquer condicionante é algo que não tem preço!