Ontem, enquanto aguardávamos na fila da caixa de um
supermercado a senhora que estava a seguir a nós começa a rabujar pelo tamanho
da fila. Já tinha estado noutra fila e passou para a nossa na ilusão que a fila
iria avançar mais rapidamente. A fila corria ao seu ritmo, sem grandes demoras
nem ritmos apressados. Ainda pensei em deixa-la passar à frente, nós tínhamos 3
produtos no carrinho e ela uma quantidade muito superior. Depois achei que não
tinha assim tanta idade e no meio dos meus pensamentos, oiça a senhora a dizer
que não tinha pressa nenhuma só não gosta de estar à espera em filas.
Ora bem, pois … também não conheço ninguém que goste! Deixei-me
ficar caladinha e a senhora lá continua a sua lenga lenga, o (meu) homem mostra
alguma empatia pela senhora e começam uma conversa de circunstância.
O que se vem a provar que a pseudo pressa não é mais que um
desbloqueador de conversa, já outro dia numa fila de apoio a cliente tivemos
uma experiência semelhante. E começa ali uma conversa animada entre o homem e
as velhinhas. Eu fico a assistir com um sorriso de circunstância.
É importante salientar que estas situações só acontecem
quando eu e o homem estamos juntos, vêm-nos ali como um alvo fácil para passar
um bom momento numa fila de espera. Claro que o foco é sempre o homem, mas o
facto de estar acompanhado dá uma certa confiança à abordagem, na verdade está
ali um homem de bem e já habituado a ouvir uns desabafos. Posto isto, é só
escolher o assunto, que pode variar entre as notícias do dia (os incêndios foram
uns dos temas ontem discutidos), a crise (tema seguinte), os tempos de
antigamente (mais um) e para não parecer uma tertúlia voltar ao tema inicial: o
desespero que pode ser ir ao supermercado!
Velhinhas deste país, vocês sabem-na toda mas eu já vos topei :)

