31 outubro, 2013

1 de Novembro, feriado noutros tempos

Uma das boas recordações que tenho da minha infância é a dos dias do finado feriado 1 de Novembro. Na minha terra as crianças passavam a manhã do feriado a bater de porta em porta a pedir os Santinhos (já percebi que por cá é conhecido por pão por Deus). 
Eram-lhes dados doces, frutos secos, fruta da época (ah, como detestava receber dióspiros!) e havia até quem desse moedas “pretas”. Todas estas oferendas iam para dentro de um saco de pano, por norma do pão, que era escolhido com algum cuidado e antecedência porque ninguém queria passar pelo constrangimento de chegar a meio da manhã com o saco a não levar nem mais um beijinho (mini-bolacha com um coroa colorida de suspiro, dos melosos dados na bochecha felizmente tinha todos os dias!). E lá íamos nós, em grupinhos a cantar a mesma lenga-lenga rua acima, rua abaixo.


Era sempre uma surpresa o que podíamos encontrar atrás da porta. Às vezes não eram muito boas, especialmente vindas daqueles velhinhos mais avarentos, mas no geral chegava ao fim da manhã com um saco bem pesado.
Até podíamos ter acesso aqueles doces ao longo do ano, mas amealhar numa manhã aquela quantidade de açúcar era mesmo espectacular.

Quando chegava a casa o saco era despejado em cima da mesa e a minha mãe fazia uma vistoria. Verdade seja dita broas misturadas com dinheiro, fruta e rebuçados a fugir do papel era caso para a ASAE mandar as mãos à cabeça! Mas no fim da censura e de tudo nos frasquinhos era um orgulho, o meu tesouro estava ali pronto para ser atacado.


Foram dias felizes! Se tivesse menos 20 anos amanhã seria um dia triste.

22 outubro, 2013

Silêncio

 - "Então adeus! Fique descansada que depois dizemos-lhe alguma coisa, quer sejam boas noticias quer sejam menos boas.”
 - "Ok, fico então a aguardar. Até breve.”

E já lá vão 3 semanas… Nem boas nem menos boas noticias. Para mim, quando há um compromisso em dar uma resposta e as noticias demoram a chegar já se sabe que nada de bom pode vir dali, pela simples razão de que dar boas noticias não custa nada mas dar AQUELAS noticias… isso é que já são outros quinhentos. Será pessimismo!? Talvez.

Nada como analisar as situações como se tivesse sentada a ouvir os pensamentos como se fossem alheios. Vamos lá então!
Há muitas razões por trás de um silêncio. Uma decisão que ainda não foi tomada, a espera por dados/decisões de terceiros, mudanças que entretanto ocorrem e o que se previa ser um processo simples transforma-se numa embrulhada, prioridades que são refeitas, …

E porque não utilizar o contacto que tenho disponível e saber em que estado é que as coisas estão!? Mil coisas passam-me pela cabeça, entre elas o odiar ser chatinha a massacrar os outros com os meus “pendentes”. Vamos lá, sê simpática e demonstra uma atitude positiva!


Já está! Supostamente está tão às escuras como eu… É possível.

Ora bem, onde é que eu ia!? Ah, sim, o que está por trás de um silêncio… Pffffuuuuuu

16 outubro, 2013

Bibliotecas

Desde sempre que partilhei a casa com os livros. Em casa dos meus avós maternos havia uma estante embutida na parede e era basicamente composta pelos livros proibidos pelo antigo regime que o meu avô adorava coleccionar. Havia um ou outro livro de culinária, um manual de boa esposa e algumas revistas de lavores que pertenciam à minha avó.

Em casa dos meus pais a tradição manteve-se. Numa versão mais actual, há uma estante de madeira na sala com um leque de assuntos mais abrangente. Em minha casa, o escritório (local onde estão 90% dos livros lá de casa) será a próxima área de intervenção, sendo que uma das causas principais é a falta de espaço para as últimas aquisições.

O facto de ter sempre livros em casa despertou-me o interesse por querer conhecer mais livros, mais autores, mais histórias e as bibliotecas eram as melhores aliadas. Na infância frequentava uma biblioteca itinerante da Gulbenkian, que percorria km para levar até às pessoas os livros que não tinham possibilidade de comprar. No fim da infância/início da adolescência a biblioteca municipal era onde passava os tempos livres, principalmente nas férias enquanto esperava que a minha mãe saísse do trabalho.

Na adolescência tirei umas férias das bibliotecas e só passava por lá quando precisava de fazer algum trabalho para a escola. Continuava a ler, basicamente o que tinha em casa, os livros que comprava ou que recebia de presente e os livros emprestados das amigas.

Na idade adulta redescobri o prazer de frequentar uma biblioteca. Entrar numa sala e sentir o conforto dos livros nas prateleiras à espera de serem resgatados para nos acompanhar durante algumas horas, para mim, é quase como ser Natal!
Tive a sorte de trabalhar numa empresa que criou uma biblioteca para os colaboradores e continua a investir recursos para alargar o leque de escolha e em mantê-la actualizada. Hoje quando abri a caixa de e-mail do trabalho foi mais um dia de Natal, tinham chegado novidades à biblioteca entre elas uma compra adiada na feira do livro deste ano!


Felizmente muitas bibliotecas municipais têm sobrevivido e mediante uma (simbólica) quota anual podemos associar-nos e usufruir do património literário que têm para nos oferecer. Poder folhear um livro e escolher o que me apetece levar para casa sem qualquer condicionante é algo que não tem preço! 

09 outubro, 2013

Conselho para a posteridade

A seguir a um fim-de-semana a colocar papel de parede... vem sempre um fim-de-semana a retocar o papel!

A menos que a cola seja colocada por TODA a superficie do papel, sem esquecer uns pontinhos aqui e ali.

Vou tentar lembrar-me disto da próxima vez :)

08 outubro, 2013

Irão!?

Um destes dias assisti a uma sessão que tinha como orador Rafael Polónia e contava um pouco da sua aventura: viajar de bicicleta de Ovar a Macau com a namorada.

Foram cerca de 2 horas a “viajar” pelo relato e fotografias daqueles 19 meses, com algumas surpresas pelo meio e algumas confirmações de que o meu espírito não é suficientemente aberto para conseguir compreender algumas diferenças.
Tal como no dia a dia, gosto de sentir-me quase invisível, poder observar tudo e todos discretamente e conseguir ouvir os meus pensamentos sem interrupções ou limitações, algo que seria muito difícil e talvez até ofensivo em alguns sítios. Esplanadar, um dos meus “desportos” favoritos, também não iria ser bonito de praticar não só devido às condições atmosféricas, à fauna e aos meus limitados gostos gastronómicos. Felizmente, nalguns desses países, o turismo sobrevive muito bem sem mim!

No meio de tantos países percorridos fica claro desde início preferência pelo Irão. O que se possa pensar ser apenas uma excentricidade, Rafael mostrou em imagens e descrições que a nossa opinião é muita vezes manipulada e que ainda temos muito a aprender. Provavelmente não será ser um dos próximos destinos, mas quem sabe se não pode vir a entrar para a wish list.

Vale a pena conhecer esta e outras viagens no blog do Rafael e da Tanya 2numundo