Eram-lhes dados doces, frutos secos, fruta da época (ah, como detestava receber dióspiros!) e havia até quem desse moedas “pretas”. Todas estas oferendas iam para dentro de um saco de pano, por norma do pão, que era escolhido com algum cuidado e antecedência porque ninguém queria passar pelo constrangimento de chegar a meio da manhã com o saco a não levar nem mais um beijinho (mini-bolacha com um coroa colorida de suspiro, dos melosos dados na bochecha felizmente tinha todos os dias!). E lá íamos nós, em grupinhos a cantar a mesma lenga-lenga rua acima, rua abaixo.
Era sempre uma surpresa o que podíamos encontrar atrás da porta. Às vezes não eram muito boas, especialmente vindas daqueles velhinhos mais avarentos, mas no geral chegava ao fim da manhã com um saco bem pesado.
Até podíamos ter acesso aqueles doces ao longo do ano, mas amealhar numa manhã aquela quantidade de açúcar era mesmo espectacular.
Quando chegava a casa o saco era despejado em cima da mesa e a minha mãe fazia uma vistoria. Verdade seja dita broas misturadas com dinheiro, fruta e rebuçados a fugir do papel era caso para a ASAE mandar as mãos à cabeça! Mas no fim da censura e de tudo nos frasquinhos era um orgulho, o meu tesouro estava ali pronto para ser atacado.
Foram dias felizes! Se tivesse menos 20 anos amanhã seria um dia triste.
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